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segunda-feira, 30 março, 2020

Espírito Santo tem aumento de 10% nos ecossistemas de mangue

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O Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) realizou um estudo para monitoramento das áreas de manguezal no Espírito Santo e constatou um aumento de 10% nos ecossistemas. De 2007 a 2015 foram realizados monitoramento em 20 bacias hidrográficas e a iniciativa mapeou os manguezais considerando essas bacias.

“O estudo indica que iniciativas de preservação são importantes, sobretudo nas unidades de conservação. Ao preservar o manguezal, conseguimos o aumento da restinga e da Mata Atlântica, pois tudo é um conjunto. Na verdade, o manguezal e a restinga são ecossistemas do bioma Mata Atlântica. Isso significa que estamos contribuindo para a Mata Atlântica, com aumento da cobertura florestal do Estado”, avalia Pablo Merlo Prata, da Coordenação de Gerenciamento Costeiro e Territorial (Cogest-Iema).

Com imagens dos manguezais entre 2007 e 2015, foi possível constatar o período de uma grande seca no Estado, que ocorreu entre 2012 e 2015. “Quando há seca, os manguezais se expandem. Se temos baixas vazões do rio, todos os propágulos, que são as sementes do mangue que o rio pode lançar para fora do estuário, vão para o mar e, posteriormente, seguem para onde tentarão colonizar. Pelo fato do rio estar com a vazão reduzida, os propágulos tendem a ficar dentro do estuário. É a partir daí que há a expansão do mangue nessa região”, explica o coordenador do Cogest-Iema.

Prata informou, ainda, que o rio Mariricu, em São Mateus, quase dobrou a quantidade de mangue por estar numa região muito plana e ter vários canais de drenagem.

Expansão

“No período da seca, o mar entrou nessa região e o manguezal expandiu com força. Houve maior expansão na região norte capixaba, mas em alguns lugares foi registrada a perda de manguezal, como no caso do Rio Itabapoana, no extremo sul do Estado, que perdeu 40% de mangue por causas que ainda desconhecemos. Mas, nesse caso, estamos fazendo uma conferência em campo”, acrescentou Prata.

Aterro, ocupação desordenada e poluição são algumas das causas que contribuíram para a redução do manguezal. Já no caso dos manguezais que tiveram um crescimento significativo, acima de 1%, a maioria está dentro de Unidades de Conservação e isso mostra a importância dessas áreas no contexto da preservação.

“O Parque Estadual de Itaúnas, por exemplo, não é todo constituído por manguezal, mas a parte que existe o sistema de manguezal houve incremento. Isso é verificado em 80% dos casos onde existe proteção integral. Nas áreas com uso sustentável, como no caso das Áreas de Proteção Ambiental (APA), a gente verificou que houve problemas devido à ocupação irregular”, identificou o responsável pela Coordenação de Gerenciamento Costeiro e Territorial do Iema.

Mangues estáveis

As áreas que ficaram estáveis com relação ao tamanho do manguezal são áreas em que o mangue, geologicamente, é antigo e contou com alterações humanas. É o caso do manguezal do Piraquê-Açu, em Aracruz, do Rio São Mateus e do Rio Itapemirim, que não tiveram alterações significativas, pois estão bem estabilizados.

“O manguezal de Barra Nova, que faz parte do Rio Mariricu, em São Mateus, apresentou quase o dobro da quantidade de manguezal, muito em virtude de ser um local que tem muita drenagem e pouca vazão. Dessa forma, o mar entrou nos canais de drenagem onde havia muita superfície para o mangue colonizar. Assim, muitas plântulas começaram a ocupar as margens desses canais”, complementou o coordenador.

Outras questões relacionadas aos mangues, como poluição hídrica, aterros, lixo, resíduos sólidos e assuntos sobre degradação do meio ambiente, estão sendo avaliadas no trabalho desenvolvido pelo Iema.

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